Emprego com carteira assinada tem o pior nível desde 2012, com 33,3 milhões de trabalhadores

Rio de Janeiro. A redução no total de postos de trabalho com carteira assinada no país diminuiu o percentual de ocupados que contribui para a Previdência Social. A fatia de contribuintes na população ocupada caiu de uma média de 65,5% em 2016 para 64,1% em 2017, segundo o IBGE. A população de ocupados que contribui para a Previdência brasileira passou de 59,210 milhões em 2016 para 58,114 milhões no ano passado, 1,1 milhão de pessoas a menos.

“Houve aumento de empregos sem carteira, de trabalhadores por conta própria e de empregos domésticos. Por mais que seja uma forma de sobrevivência, essas pessoas não estão contribuindo para a Previdência. Não é bom para a pessoa, não é bom para o país, não é bom para ninguém”, ressaltou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A redução da formalização do emprego e a maior insegurança sobre a renda familiar também reduzem o ímpeto de contribuição de quem trabalha na informalidade, acrescentou Azeredo. Segundo o pesquisador, há um processo em curso de recuperação do mercado de trabalho em 2017 em relação ao auge da crise, mas persistem alguns pontos negativos, entre eles o fechamento de vagas com carteira assinada no setor privado.

A queda na taxa de desemprego na reta final de 2017 já era esperada, segundo Cimar Azeredo. A taxa de desocupação passou de 12,4% no terceiro trimestre para 11,8% no quarto trimestre do ano passado, de acordo com os dados da Pnad Contínua. “Como o aumento da ocupação foi muito expressivo, isso fez a taxa de desocupação cair. O movimento já era esperado. Novembro e dezembro são meses em que já existe a contratação de funcionários temporários, acontece normalmente no comércio”, lembrou Azeredo. O pesquisador destacou, porém, que a recuperação do mercado de trabalho foi, no entanto, estimulada pelo crescimento do trabalho informal (sem carteira assinada e por conta própria).

A população de trabalhadores com carteira assinada no setor privado no país totalizou 33,321 milhões de pessoas no quarto trimestre de 2017, o nível mais baixo da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. A queda com relação ao mesmo período do ano passado foi de 2,8%. O auge da carteira assinada ocorreu no segundo trimestre de 2014, quando alcançou 36,880 milhões de trabalhadores. “O mercado de trabalho tirou pessoas com carteira assinada, mexeu com a estabilidade. Essa pessoa que perde o emprego com carteira é responsável pela estrutura familiar. E essa estrutura familiar (os integrantes da família), para compensar, parte para o mercado de trabalho. Muitas vezes isso se dá não pela perda do emprego, mas da estabilidade, da carteira assinada”, explicou Cimar Azeredo.

Conta própria. Com o fechamento dos postos formais, trabalhadores tentaram reforçar a renda familiar atuando por conta própria. No quarto trimestre de 2017, 23,198 milhões de pessoas estavam trabalhando por conta própria, o maior patamar da série histórica da Pnad Contínua e uma alta de 0,7% sobre o mesmo período do ano anterior. Já os trabalhadores sem carteira assinada somam 10,707 milhões, uma alta de 5,5% sobre dezembro de 2016.

A insatisfação pessoal atrelada à baixa remuneração financeira fizeram com que o músico Marcos Costa, 34, largasse a carreira de agente de viagem e se dedicasse exclusivamente à música. Hoje, alternando as aulas de violão e guitarra e apresentações em casas noturnas de Belo Horizonte, o músico já consegue ganhar mais do que recebia quando cumpria 44h semanais de trabalho. “Eu recebia fixo e comissão, mas acabava sendo bem parecido com o trabalho autônomo, pois não há certeza da remuneração. Então, se é para viver no risco de um mês ruim, que seja com um negócio próprio”, diz.

Turismólogo por formação, o músico acredita que a sensação de estabilidade pode impedir de buscar novas oportunidades. “Não havia projeção em aumentar significativamente a remuneração, ou de crescimento de carreira no setor onde estava. Agora, consigo dar foco”, avalia. (Com Raquel Penaforte)

Índice de desemprego anual é o pior desde 2012, diz IBGE

Rio de Janeiro. Embora o índice de desemprego tenha encerrado o trimestre entre outubro e dezembro de 2017 em 11,8%, a taxa média de desemprego anual no Brasil subiu de 11,5%, em 2016, para 12,7%, no ano passado, a maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, de acordo com dados do IBGE. No pico de 2017, a taxa chegou a 13,7%, no primeiro trimestre.

De 2014, quando a taxa de desocupação atingiu o menor patamar (6,8%), para 2017, são quase 6,5 milhões de desempregados a mais, um aumento de 96,2%.

Em dezembro, o país registrava 12,3 milhões de pessoas em busca de emprego, 650 mil (-5%) a menos que no trimestre anterior, mas um número similar ao registrado no quarto trimestre de 2016, segundo o IBGE divulgou nesta quarta-feira (31).

E mais

Domésticos

No quarto trimestre de 2017, o emprego doméstico ganhou 204 mil novas pessoas em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano. Assim, o ano fechou com 4,2 milhões de trabalhadores domésticos no país.

Massa salarial

A massa de salários em circulação na economia cresceu R$ 6,630 bilhões em 2017, fechando em R$ 193,368 bilhões.

 

Fonte:Jornal O Tempo economia

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