Proteção. Cobertura vacinal em Minas Gerais é de 82%, sendo que o recomendado pela OMS é de 95%

Para enfrentar os crescentes casos de febre amarela e reforçar o atendimento a pacientes, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) está contratando, de forma imediata, 87 profissionais para atuar temporariamente no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, referência no combate à doença no Estado. Os interessados devem entregar os currículos nesta terça (23) até as 16h na própria unidade. O chamamento foi possível graças ao Decreto de Situação de Emergência em Saúde Pública Regional, publicado pelo governo estadual no último sábado.

A maioria das vagas é destinada a técnicos de enfermagem – são 56, no total. Há oportunidades, ainda, para as funções de médico, psicólogo, assistente social, auxiliar administrativo, enfermeiro e fisioterapeuta respiratório. Os contratos devem ter duração de seis meses.

Os profissionais contratados também devem prestar suporte técnico às equipes dos locais com casos confirmados de febre amarela, concentrados nas unidades regionais de saúde de Belo Horizonte, Divinópolis, na região Centro-Oeste, e Ponte Nova e Juiz de Fora, na Zona da Mata. O decreto de emergência abrange 94 cidades. A medida possibilita que o Estado adquira materiais e contrate serviços sem a necessidade de licitação.

“A situação de emergência é muito importante. Mas a principal medida mesmo é a vacinação”, ressaltou o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a cobertura vacinal de febre amarela em Minas é de cerca de 82%. Em torno de 3,5 milhões de pessoas, a maioria homens com idades entre 15 e 59 anos, ainda não se imunizaram. O Estado garante que tem estoque suficiente para atender a demanda e que, se necessário, vai solicitar doses adicionais ao Ministério da Saúde.

Balanço. Na segunda-feira (22), um novo óbito por febre amarela foi confirmado em Brumadinho, na região metropolitana. A vítima é um homem de 54 anos, que morava no distrito de Aranha, na zona rural da cidade. Ele estava internado no Hospital Eduardo de Menezes e morreu no domingo (21). Com o caso, chega a 19 o número de óbitos confirmados por febre amarela em Minas Gerais.

Em Raposos, na região metropolitana, um homem de 40 anos morreu com suspeita da doença. A vítima morava no município, mas trabalhava em Rio Acima, na mesma região, onde já foram confirmados casos. Outra morte suspeita é a de um morador de Belmiro Braga, na Zona da Mata. Ele tinha 53 anos e morreu na madrugada de segunda-feira enquanto aguardava um transplante de fígado na Santa Casa de Juiz de Fora.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 50% dos doentes que desenvolvem a forma grave da doença morrem. “Nesses casos, o tratamento é suportivo. A pessoa vai para o CTI, onde é dado todo o suporte clínico com o objetivo de manter o paciente vivo até o próprio organismo conseguir eliminar o vírus, mas, muitas vezes, não dá tempo”, explicou Estevão Urbano. (Com Natália Oliveira)

População não vacinada no país é “alto risco”, diz OMS

O grande número de pessoas não vacinadas contra a febre amarela em áreas com ecossistema favorável ao vírus representa um alto risco de mudança no patamar de transmissão, diz comunicado da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado na segunda-feira.

Além de Minas Gerais, São Paulo vive situação crítica pela doença. Na semana passada, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) confirmou 41 novos casos – o total, desde o início de 2017, chega a 81. Para bloquear o vírus, o Ministério da Saúde lançou uma campanha que visa vacinar, em 50 dias, 21,8 milhões de pessoas no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia.

Para a OMS, a medida deve limitar o avanço da doença, mas é possível prever percalços devido a “desafios logísticos”, conforme o texto.

O comunicado afirma ainda que o grande número de mortes de macacos por febre amarela no país, especialmente em São Paulo, indica um alto nível de concentração do vírus em ecossistemas favoráveis à transmissão no Brasil. Esse dado, para a entidade, é especialmente preocupante quando as mortes acontecem perto de grandes cidades.

O texto da OMS cita ainda o caso do vírus “exportado” para a Holanda no início de janeiro e informa que o paciente chegou ao país após passar por Mairiporã e Atibaia, duas cidades com circulação do vírus em São Paulo. A entidade mantém a recomendação de vacina a todos os viajantes internacionais com destino ao Estado de São Paulo.

Parques fechados

Medida. O Parque Municipal Aggeo Pio Sobrinho, no Buritis, na região Oeste de BH, e o Parque Ecológico Roberto Burle Marx, no Barreiro, serão fechados para visitação a partir desta terça-feira. No primeiro local, cartazes já avisam sobre a medida que, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, é preventiva, uma vez que a mata dessas reservas está conectada à vegetação dos parques da serra do Curral e das Mangabeiras.

Atividades. O presidente do projeto Bom na Bola Bom na Vida, que incentiva a prática de esportes, Carlos Antônio de Vasconcelos, contou que recebeu uma ligação da Fundação de Parques Municipais falando sobre a necessidade de suspender as atividades nos parques. “É uma forma de precaução”, afirmou.

Saiba mais

Currículos. Interessados nas vagas devem comparecer ao Hospital Eduardo de Menezes (avenida Dr. Cristiano Rezende, 2.213, no Bonsucesso. O formato de currículo e os documentos exigidos estão no site www.fhemig.mg.gov.br.

Nova Lima. Um novo caso suspeito de febre amarela foi registrado na segunda-feira em Nova Lima. A cidade tem seis mortes.

Ampliação. Algumas cidades vão ampliar o horário de vacinação. A Policlínica de Nova Lima vai funcionar até as 19h30, e a de Brumadinho, até as 20h.

 

O Tempo

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