Bem quisto. Investidores orientais foram os principais responsáveis pelo bitcoin digital ter alta de 1.600% em 2017

Hong Kong. Embora todas as atenções tenham se concentrado no lançamento do bitcoin no mercado futuro dos Estados Unidos, no início de dezembro do último ano, o centro gravitacional para negociações dessa moeda virtual, em termos de volume, tem sido o Oriente – começando pela China, passando pelo Japão e chegando mais recentemente à Coreia do Sul.

E ao contrário dos frenesis financeiros anteriores – como os vistos com a bolha da internet no final dos anos 1990, quando investidores norte-americanos do varejo perceberam o movimento somente nos estágios finais do rali –, os investidores individuais têm sido os primeiros a aproveitar a festa, impulsionando a moeda digital para uma alta de 1.600% no último ano.

Esse movimento é destacado por Chris Weston, estrategista-chefe de mercados do IG Group, uma das maiores plataformas de trading online do mundo. “O bitcoin é um dos poucos mercados que já tivemos na história onde você viu ganhos astronômicos em todo o mundo e o investidor de varejo da Ásia é quem os está conduzindo”, afirma.

O especialista destaca, ainda, a quebra de paradigmas que a criptomoeda trouxe. “Parece que tudo isso está sendo conduzido pelo cidadão comum, que não tem formação do mercado financeiro como um gerente de fundos profissional”, completou.

Febre asiática. Diversas forças têm alimentado a febre do bitcoin na Ásia. Enquanto fortunas individuais têm crescido nos últimos anos, particularmente na China e na Coreia do Sul, oportunidades lucrativas de investimento podem ser difíceis de encontrar, com o mercado imobiliário muito caro e o mercado de ações fortemente valorizado.

Evidências sugerem que os asiáticos estão mais confortáveis com o conceito de moedas virtuais que os demais, principalmente os mais jovens, uma vez que cresceram em um mundo dominado pelo e-commerce e por pagamentos via celular.

No ano passado, a China registrou um volume absurdo de transações com a moeda antes que os reguladores agissem para reprimir o movimento. Mas, ao final de novembro, Japão, Coreia do Sul e Vietnã já respondiam por quase 80% das negociações com bitcoin em todo o globo, de acordo com a consultoria CryptoCompare. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos respondiam por apenas um quinto do volume negociado. Nas últimas semanas, entretanto, a participação dos Estados Unidos nesse total tem aumentado.

Enquanto os números flutuam na movimentação diária, a Coreia do Sul já chegou a responder por até um quarto das negociações com bitcoin, superando os Estados Unidos, de acordo com a Coinhills, empresa de dados que acompanha a cotação das moedas digitais. A Coreia do Sul tem uma população de aproximadamente 51 milhões de pessoas, comparada aos 323 milhões dos Estados Unidos.

“Em geral, a Ásia tem muito interesse em negociar criptomoedas. Essa é a novidade que está empolgando os jovens”, disse Vitalik Buterin, criador de outro tipo de moeda digital chamada ethereum, durante recente entrevista em Seul.

Popularidade leva à inflação

Seul, Coreia do Sul. A popularidade do bitcoin na Coreia do Sul tem levado a critpomoeda a ser negociada por um preço acima da média do mercado. Quando o bitcoin ultrapassou a barreira dos US$ 17 mil (cerca de R$ 56 mil) pela primeira vez, ele atingiu quase US$ 25 mil no Bithumb, maior casa de câmbio de criptomoeda da Coreia do Sul. Outras duas casas sul-coreanas, a Coinone e a Korbit, também apresentaram preços bem acima de US$ 20 mil. Esses spreads, porém, têm diminuído desde então.

“Todo mercado tem suas próprias regras locais e isso cria vários tipos de discrepâncias”, afirma Cedric Jeanson, executivo-chefe da Bit-Spread, uma casa de fundos hedge focada em bitcoin.

O frenesi asiático com o bitcoin despertou a atenção dos órgãos reguladores e políticos. A China, inclusive, baniu casas de câmbio de moedas virtuais e ofertas iniciais de moeda, uma forma de angariar fundos que usa criptomoedas.

Hong Kong, por sua vez, emitiu um alerta de que algumas casas podem estar oferecendo ilegalmente futuros relacionados à moeda.

Wall Street ainda está na contramão

Nova York, EUA. Analistas reconhecem que os profissionais tradicionais de Wall Street não serão os impulsionadores do mercado por um bom tempo. Executivo-chefe da consultoria nova-iorquina de investimento Riholtz Wealth Management, Joshua Brown vê Wall Street distante da criptomoeda.

“Nunca houve um fenômeno como esse, no qual o público em geral apostasse tanto dinheiro. Temos uma verdadeira febre em nossas mãos e Wall Street ainda não se deu conta. Esta é a primeira bolha sem bancos envolvidos”, afirmou o executivo.

Encontro

Maníacos. Em Hong Kong, os fãs da moeda se reuniram recentemente em um encontro denominado “Bitcoin Bubble Bash”, evento organizado pela BitMEX, uma plataforma de transações local, que providenciou pizza, wraps, cerveja para celebrar “o melhor ano na história do bitcoin”. Cerca de 200 pessoas compareceram.

 

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