Prisão. Entre os 77 delatores, apenas Marcelo Odebrecht está preso; outros quatro já foram condenados

São Paulo. Para evitar um racha entre delatores, a Odebrecht convocou reunião com ex-dirigentes da empresa para debater o alinhamento deles na operação Lava Jato. O motivo do encontro seria uma divergência entre os depoimentos do ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht e do ex-executivo Paulo Melo. A companhia orientou que eles evitem contradições e não fujam das responsabilidades por delitos cometidos.

Os delatores foram convidados para a reunião com a desculpa de que seriam atualizados sobre o andamento dos processos decorrentes das delações e do pagamento das multas previstas no acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Mas, chegando lá, o tema principal foi a discrepância nos relatos que eles deram à Justiça e a outras autoridades.

Há um mê<CW-24>s, em depoimento ao juiz Sergio Moro, na ação penal sobre a compra de um terreno para o Instituto Lula, Marcelo Odebrecht cobrou publicamente que seus ex-subordinados evitem omissões e mentiras em seus relatos. Foi essa mesma audiência que escancarou um desacordo entre o empreiteiro e Paulo Melo, que é réu sob acusação de lavar dinheiro para o ex-presidente Lula (PT).

Marcelo disse ter informado Melo, que era responsável pela Odebrecht Realizações, de que a empresa arcaria com a compra do terreno do instituto, em 2010, e que debitaria os gastos da planilha Italiano, espécie de conta-corrente de repasses clandestinos do grupo com o PT. Ele também disse que o ex-executivo coordenou pagamentos para o projeto do petista com o setor de operações estruturadas – departamento de propina da empreiteira.

O subordinado, porém, negou a Moro que tivesse autorização para atuar por meio do setor de operações estruturadas e que tivesse conhecimento de detalhes sobre a propina. Melo ainda declarou que não cuidou dos pagamentos e que não via na época ilegalidade na atuação da empreiteira junto ao Instituto Lula.

Sozinho. A defesa de Melo vai pedir a absolvição dele nas alegações finais. Mesmo tendo fechado o acordo de delação em conjunto, cada delator da Odebrecht geralmente possui um advogado próprio nas ações penais para traçar diferentes estratégias. E uma eventual absolvição perante Moro pode ajudar o réu a postergar o cumprimento da pena já acertada no acordo de delação.

‘Laranjas’ registram dado distinto

Brasília. A DAG Construtora, que serviu de “laranja” da Odebrecht no repasse de propinas para o ex-presidente Lula (PT) no caso do prédio para o Instituto Lula e do apartamento 121 do Hill House, em São Bernardo do Campo, registrou em sua contabilidade interna de 2010 que os R$ 800 mil pagos a Glaucos da Costamarques Bumlai, o “laranja” do ex-presidente, foram referentes a uma “multa”.

O Ministério Público Federal sustenta no processo que o registro diverge da versão declarada à Receita e em juízo por Glaucos da Costamarques, que informou que o valor recebido em sua conta foi pela cessão dos direitos de compra do prédio da Rua Haberbecke Brandão, em São Paulo, que serviria para ser sede do Instituto Lula.

A defesa de Lula sustenta que ele não é dono do imóvel e sim locatário, desde fevereiro de 2011.

 

Jornal O Tempo

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