A carbidopa já é autorizada para tratar a doença de Parkinson

 

SÃO PAULO. Um novo estudo mostra que a carbidopa, uma droga normalmente usada no tratamento da doença de Parkinson, apresenta consideráveis efeitos anticâncer. De acordo com os autores da pesquisa, a descoberta pode ajudar a explicar por que se verifica, entre os pacientes de Parkinson, uma baixa incidência de vários tipos de câncer.

O estudo, publicado nessa sexta-feira (29) na revista científica “Biochemical Journal”, foi liderado por cientistas do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Tecnologia do Texas (Estados Unidos). Segundo a autora principal do estudo, Yangzom Bhutia, a descoberta pode abrir caminho para que a carbidopa seja proposta também como um remédio contra o câncer.

Com a droga já no mercado, seria possível queimar etapas dos testes clínicos, passando diretamente à fase da análise de eficácia. “A carbidopa já é uma droga aprovada pela FDA (agência de saúde dos EUA) para o tratamento da doença de Parkinson”, disse Yangzom. Um dos tratamentos para a doença de Parkinson, que não tem cura, consiste na combinação da carbidopa com outra droga chamada levodopa, que age no cérebro para amenizar os sintomas.

Esperança. A carbidopa não atua no cérebro, mas ajuda a levodopa a chegar no sistema nervoso central em maior proporção. De acordo com Yangzom, vários estudos já apontavam que os pacientes da doença de Parkinson têm uma taxa mais baixa de incidência de diversos tipos de câncer em comparação à população em geral.

No novo estudo, os cientistas norte-americanos, em colaboração com equipes do Japão e da Índia, testaram os efeitos da carbidopa em células de câncer do pâncreas humano e também em camundongos. Eles descobriram que a carbidopa inibe consideravelmente o crescimento dos tumores, tanto na cultura de células como nos animais.

Os autores acreditam que a carbidopa provavelmente possui uma gama maior de efeitos anticâncer, mas eles optaram por focar no câncer de pâncreas por causa da baixa taxa de sobrevivência.

 

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